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Por Álvaro Blasina
Trata-se inegavelmente de um dos temas da atualidade nos julgamentos efetuados, tanto a nível de clubes, como também no próprio Campeonato Brasileiro.
Afinal de contas, esses exemplares mosaicos que aparecem nas mesas, com ombros bem marcados e uma sensação de ausência de penas nos encontros tiveram efetivamente as suas penas arrancadas ou cortadas, ou apresentam características genéticas diferentes dos outros? Vejo esta situação como uma enorme interrogante, um tema extremamente polemico e de difícil solução. Bastante tem se escrito e principalmente falado à respeito, e as versões sobre o assunto são divergentes.
Alguns juizes são drásticos e categóricos sobre esses exemplares, optando pela sua desclassificação. Se der a sensação de falta de penas nos ombros, consideram que está caracterizado motivo de desclassificação sem ser necessário pegar o exemplar na mão para constatar o defeito.
Quando se levanta a hipótese de que pode-se tratar de uma evolução genética para exaltar a intensidade dos encontros visando um melhor desenho e contraste, a argumentação é de que nesse caso, se trataria de um "trabalho genético errado". Este último ponto é para mim o centro principal da discussão. Afinal, como nós criadores devemos orientar os nossos planteis, e como nós juizes devemos atuar para não provocarmos uma injustiça? Em primeiro lugar, pessoalmente discordo totalmente da teoria de que a seleção genética para destacar o encontro das asas visando maior intensidade nas mesmas, possa ser um erro. Esta deve ser a direção que qualquer criador consciente deve tomar e é a que todos os criadores da Europa procuram.
Nos países da Europa, temos visto uma enorme quantidade de exemplares, que correriam sérios riscos de desclassificação nas mesas de julgamento brasileiras da atualidade. Tenho lido inclusive alguns artigos sobre a evolução dos canários mosaicos em que são citados os primeiros vermelhos mosaicos com ombros bem intensos e destacados, aparecidos em Campeonatos Mundiales-HN que impressionaram sobremaneira ao Sr. Ascheri (juiz italiano residente em Paris, hoje falecido) pelas características mencionadas.
Como fato curioso, alguns exemplares nevados também apresentam esta sensação de falta de penas nos encontros e esta constatação também foi evidenciada pelo nosso colega João Basile. Os exemplares de qualidade inferior, efetivamente podem ser "trabalhados" pêlos criadores, arrancando ou cortando penas brancas ou esbranquiçadas que cobrem os encontros, diminuindo a intensidade dos mesmos e esta situação e somente ela deve ser punida pôr se tratar de uma fraude.
O grande desafio para o juiz, consiste então em saber diferenciar aqueles canários de excelente qualidade, fruto do trabalho de vários anos de seleção em que se visou exaltar um desenho de ombro bem nítido que permita aparecer um lipocromo bem intenso e aqueles pássaros de inferior qualidade nesse item, cujas penas foram arrancadas ou cortadas visando a exaltação de uma virtude que não possuem. Considero esta, uma tarefa de extrema responsabilidade que exige do juiz muita ponderação.
Pessoalmente, acho que nunca se deveria desclassificar um exemplar sem a possibilidade de comprovar efetivamente o motivo da desclassificação. Devemos nos perguntar quantas vezes, ao desclassificar esses exemplares, estaremos fazendo justiça, e quantas vezes estaremos "enjustiçando" um criador. Desclassificar um exemplar exposto, é uma atitude que o juiz deve efetuar com toda segurança, e para isso, devemos sempre ter meios de provar todas as nossas decisões.
Muito já se falou sobre o tema, e acho que ainda deveremos expor e escutar nossos pontos de vista, para termos uma opinião definitivamente formada sobre o tema.
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