JULGAMENTO E PONTUAÇÃO 
Por Álvaro Blasina

O tempo passa e se a memória não me falha, já se vão 17 anos desde que os primeiros julgamentos por pontuação foram efetuados no Brasil. Mesmo assim, até hoje tenho certeza de que muitos criadores ainda não entenderam muito bem em que consiste o mecanismo daquela planilha de pontuação, e muitos deles sequer viu uma delas com detalhe. Para que serve na prática o julgamento por pontuação? É verdade que observando com atenção um canário, todos os juizes terão uma idéia de quantos pontos aquele exemplar ira obter, mesmo sem ter feito aqueles cálculos mais minuciosos que o levarão ao mesmo valor final. Surge naturalmente a pergunta: mas então para que fazer tanto número se o juiz já sabe o resultado final? Esta pergunta tem varias respostas importantíssimas. Em primeiro lugar, obriga o juiz a fazer uma avaliação sem pressa e mais técnica de cada um dos itens de julgamento dos exemplares. Este exercício representa uma constante lembrança de que o pássaro exposto é um conjunto de elementos que na sua somatória darão a impressão final das qualidades daquele exemplar. Minimiza então as probabilidades de erro. Todos os campeonatos efetuados na Europa de que tenhas conhecimento, exigem que todos os exemplares expostos, independentemente da sua colocação, sejam pontuados e o criador ficará de posse da planilha de pontuação para saber quais (na avaliação do juiz) são os pontos fortes ou fracos do seu exemplar. Todo criador consciente, saberá, a partir da planilha de pontuação quais os pontos que deverá melhorar no seu exemplar. Tendo alguma pontuação baixa em qualquer dos itens de julgamento, poderá perguntar a um criador experiente, ou mesmo ao próprio juiz sobre a forma de melhorar essa falha, a conveniência de continuar criando com aquele exemplar, etc. etc.. Pessoalmente, conheço apenas uma experiência similar, no Brasil, efetuada no Campeonato Aberto de Limeira, onde todos os canários são igualmente pontuados e percebi que o juiz tendo que pontuar um por um, minimiza as probabilidades de erro caso venham na mesa uma quantidade muito grande de pássaros da mesma cor. Ele é “obrigado” a dedicar alguns minutos de observação a cada uma das aves expostas e desta forma todos serão igualmente observados. No Campeonato Brasileiro, a grande quantidade de aves participantes obriga a uma solução conciliatória no sentido de que seria uma tarefa exaustiva ter que pontuar todos os exemplares. No entanto, acho muito importante os criadores donos de exemplares pontuados, verificarem nas referidas planilhas dos seus canários a avaliação do juiz item por item, para saber exatamente qual rumo tomar na hora de acasalar aquele canário. Basta pegar a planilha, verificar os pontos obtidos para cada item de julgamento, verificar no Manual de Julgamento qual a ordem de prioridades no julgamento, os patamares considerados ideais para cada item e até eventualmente perguntar aos juizes que assinaram a referida planilha sobre o grau de carência detectado principalmente naqueles itens com pontuação mais baixa. Isto certamente vai ajudar para a sua evolução técnica na avaliação dos seus pássaros e representará um aliado fundamental na constante evolução da qualidade do seu plantel.
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